Icatu marca a nossa história com a famosa Batalha de Guaxenduba – realizada na bela praia de Santa Maria – onde os portugueses chefiados por Jerônimo de Albuquerque vindos de Pernambuco lutaram contra os franceses para expulsá-los de Upaon Açu e ocupar definitivamente o território. A colonização portuguesa do Maranhão e de toda a Amazônia começa em Icatu, que significa – em tupi – “águas boas”. Águas boas são o que não faltam nesta região que também inclui os municípios de Axixá, Morros e Primeira Cruz. Os rios Munim e Itapecuru nascem em meio ao Cerrado do sertão maranhense mas ao se aproximarem da costa, se tornam plenamente amazônicos. No extremo limite leste do bioma, as paisagens de flora e fauna amazônicas encontram o Cerrado. Em um de seus principais afluentes – o rio Una – de águas transparentes, um passeio náutico revela ao turista atento a mudança abrupta da mata ciliar à medida que se aproxima de sua desembocadura no rio Munim – do Cerrado à exuberância amazônica.
É justamente neste encontro de duas grandes diferentes regiões biogeográficas que a Trilha Amazônia Atlântica termina (ou começa). A Reserva Extrativista Marinha Baía do Tubarão – a maior do país – cobre territórios de Icatu e Humberto de Campos e está localizada justamente entre São Luís e os Lençóis Maranhenses. Numa simbologia geográfica e até poética, a maior Trilha sinalizada da América Latina que contorna o Litoral Amazônico do Brasil se encontra com o Litoral Setentrional do Nordeste que vai do litoral leste do Maranhão até o Rio Grande do Norte. É neste ponto de transição que os grandes e contínuos manguezais e ilhas de um litoral altamente recortado vai cedendo espaço para o maior campo de dunas costeiras do Brasil que se enche de milhares de lagoas de águas transparentes no período chuvoso – O Parque Nacional Lençóis Maranhenses, em Santo Amaro.