Sustentabilidade

A Trilha Amazônia Atlântica é concebida como um imenso corredor ecológico, conectando a floresta amazônica ao Oceano Atlântico e integrando áreas protegidas de altíssimo valor ambiental e cultural. Mais do que um caminho de aventura, ela é uma estratégia de conservação e desenvolvimento sustentável para toda a região.

A Amazônia é o maior reservatório de biodiversidade do planeta e desempenha papel essencial na regulação climática global. Ao chegar ao Atlântico, ela revela ecossistemas únicos — manguezais, campos alagados, restingas e florestas de transição — que abrigam espécies endêmicas e comunidades tradicionais que vivem em harmonia com a natureza. A Trilha Amazônia Atlântica valoriza esse patrimônio, promovendo sua conservação e tornando-o acessível por meio de experiências de ecoturismo e esporte ao ar livre.

Na Trilha, diferentes territórios se conectam para formar um grande corredor ecológico e cultural. Quilombos, terras indígenas e unidades de conservação são todos considerados áreas protegidas, cada qual com sua função essencial: preservar a biodiversidade, garantir modos de vida tradicionais e manter viva a memória cultural.

Esses espaços não são apenas pontos no mapa — são guardiões da floresta, dos rios e das comunidades. Ao percorrer a trilha, o visitante vivencia a força dessas áreas protegidas, que juntas asseguram a conservação da Amazônia e do Atlântico, enquanto fortalecem o turismo de base comunitária e a identidade dos povos que ali vivem.

Na Trilha Amazônia Atlântica, quilombos e unidades de conservação não estão separados: eles se complementam e formam um mosaico de áreas protegidas. Juntos, garantem que a trilha seja mais do que uma rota de aventura — ela é um convite para conhecer, conservar e pertencer.

Cada pedalada, cada caminhada e cada remada é também um gesto de respeito a esses territórios, que guardam a biodiversidade e a cultura viva da Amazônia e do Atlântico.

Unidades de Conservação

A Trilha Amazônia Atlântica conecta 16 unidades de conservação em toda sua extensão. No Maranhão, áreas como a Reserva Extrativista Arapiranga-Tromaí, a Reserva Extrativista de Cururupu e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses protegem ecossistemas costeiros e práticas tradicionais de pesca e extrativismo. No Pará, a trilha conecta a Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, a Reserva Extrativista Marinha Araí-Peroba, o Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia e o Parque Estadual do Utinga, fundamentais para a proteção dos manguezais e da biodiversidade em áreas urbanas.

Territórios Quilombolas e Sociobiodiversidade

A trilha também integra 35 territórios quilombolas como os de Torres em Tracuateua, América em Bragança, Bom Jesus dos Pretos, em Cândido Mendes e Frechal em Cururupu. Esses territórios são guardiões da memória cultural e da sociobiodiversidade, preservando práticas agrícolas, culinárias e religiosas que reforçam a identidade amazônica.

O turismo de base comunitária e a valorização dos produtos da sociobiodiversidade — como o açaí, o turu, o caranguejo e a pesca artesanal — promovem a implementação de sistemas agroflorestais. Esses sistemas têm contribuído para a recuperação de áreas degradadas, fortalecendo a economia local e garantindo a conservação do território.

Conectividade da paisagem

A Trilha Amazônia-Atlântica conecta 16 unidades de conservação e 35 territórios quilombolas, formando um mosaico de 51 áreas protegidas que asseguram a preservação da biodiversidade e da cultura tradicional. Essa conexão fortalece a função da trilha como corredor ecológico, permitindo o fluxo de espécies, a manutenção de ecossistemas e a valorização das comunidades locais.

A estratégia para consolidar esse corredor é o ecoturismo e o esporte ao ar livre, praticados com qualidade e responsabilidade. Caminhar, pedalar ou cavalgar pela trilha significa vivenciar paisagens únicas, apoiar comunidades tradicionais e contribuir para a conservação da natureza e da cultura de um dos territórios mais ricos do planeta.

Lista das áreas protegidas

EstadoUnidade de ConservaçãoTrecho
ParáÁrea de Proteção Ambiental BelémBelém - Caraparu
ParáRefúgio de Vida Silvestre Metrópole da AmazôniaBelém - Caraparu
ParáParque Estadual do Utinga Camilo ViannaBelém - Caraparu
ParáReserva Extrativista Marinha TracuateuaTravessia dos Campos
ParáReserva Extrativista Marinha Caeté-TaperaçuTravessia dos Campos e Camutá-Urumajó
ParáReserva Extrativista Marinha Araí-PerobaCamutá-Urumajó
ParáReserva Extrativista Marinha Gurupi-PiriáUrumajó-Piriá
MaranhãoReserva Extrativista Arapiranga-TromaíAmazônia Maranhense
MaranhãoAPA de Upaon-Açu / Miritiba / Alto PreguiçasUpaon - Açu
MaranhãoAPA das Reentrâncias MaranhensesFloresta dos Guarás e Amazônia Maranhense
MaranhãoReserva Extrativista do Quilombo FlexalFloresta dos Guarás
MaranhãoParque Estadual do Sítio do RangedorUpaon - Açu
MaranhãoReserva Extrativista de CururupuFloresta dos Guarás
MaranhãoAPA do ItapiracóFloresta dos Guarás
MaranhãoReserva Extrativista da Baía do TubarãoIcatu-Lençois Maranhenses
MaranhãoParque Nacional dos Lençóis MaranhensesIcatu-Lençois Maranhenses

Territórios quilombolas

Estado Município Comunidades Quilombolas
Pará Santa Isabel do Pará Santíssima Trindade, Macapazinho, Conceição do Itá, Boa Vista do Itá
Pará Castanhal Macapazinho, São Pedro
Pará Inhangapi Menino Jesus do Pitimandeua
Pará Tracuateua Torres
Pará Bragança América
Maranhão Cândido Mendes Bom Jesus dos Pretos, Santa Izabel
Maranhão Turiaçu Banta
Maranhão Bacuri Bate Pé, Barreira
Maranhão Serrano do Maranhão São Benedito
Maranhão Cururupu Vera Cruz, Açude, Frechal, Estivas dos Mafras, Aliança e Santa Joana
Maranhão Mirinzal Aliança e Santa Joana, Capinzal, Gurutil e Bom Viver
Maranhão Guimarães Gepuba, Lago do Sapateiro, São Vicente
Maranhão Alcântara Itamatatiua, Livramento, Cajueiro, Oitiua, São João de Cortes
Maranhão São Luís Liberdade
Maranhão São José de Ribamar Jussatuba
Maranhão Icatu Boca da Mata Ribeira, Mata